Compreensões de Infância e Adolescência

 

CRIANÇAS. Quem são vocês?…

Lá estão eles e elas juntos a brincar de roda, de bola, de boneca, de cozinhado, de pega, de artista e bandido, de pai e mãe, de escolinha… empinando pipas, confeccionando e atirando aviõezinhos… contando e ouvindo histórias, colando figurinhas e conversando sobre elas…

Brincar é o seu ofício e brincadeira para as crianças é o que há de mais sério na sua vida… Sim, porque é brincando que elas se exercitam na arte de viver… As brincadeiras são como que vivências simbólicas, que têm a ver com todas as dimensões e situações da vida… Elas adoram quando gente maior vem brincar com elas… Talvez seja o momento mais propício de se entrar em comunhão com elas… a oportunidade pedagógica mais genuína e eficaz…

O senso comum dos povos nos lega a compreensão de que aos 7 anos, a criança chega ao uso de razão, isto é, já tem as condições mínimas e suficientes de saber o que pensa, o que diz, o que quer e o que faz… já é capaz de assumir responsabilidades e participar ativa e conscientemente do jogo da vida, com todos os parceiros jovens e adultos, em família e na comunidade…

Evidentemente, ela não é um adulto, não tem que assumir o que é próprio de gente de maior idade, nem tem que agir do jeito dos adultos… A infância é uma fase original da vida, que tem suas possibilidades e limites, como qualquer outra… Que tem sua maneira própria de expressar-se e de agir… Suas necessidades e desejos específicos… e, certamente, uma contribuição original a dar ao conjunto de esforços de toda a gente, para que a vida de todos(as) seja boa, bela e feliz. Sem a participação original da criança, a vida em sociedade fica empobrecida e prejudicada.

Como criança, ela quer poder expressar seus anseios e pontos de vista e ser ouvida e levada em conta… poder participar da vida em sociedade e fazer a sua parte, sendo reconhecida como parceira, tanto quanto os demais parceiros jovens e adultos. Enfim, ter voz e vez

Ela não é “projeto de gente”, nem deve ser tratada apenas em função do futuro, como “esperança do amanhã”. Ela é, aqui e agora, uma pessoa humana inteira, com direitos e deveres próprios de sua faixa etária, que quer viver plenamente o hoje da sua existência, como alguém que aprende, certamente, mas também sabe de alguma coisa e tem um conhecimento a comunicar, uma palavra a dizer, uma opinião a dar… carregado de potencialidades, ansioso por exercitá-las e desenvolvê-las…

 

– E vocês, ADOLESCENTES?…

Garotos e garotas maiores, lá pelos 12, 13, 14 anos ou pouco mais, preferem  organizar-se para jogar futebol ou vôlei… vão juntos a festas, shows ou festivais… conversam sobre seus ídolos, do esporte ou da novela… sobre seus namoros e aventuras… debulham sonhos e projetos… querem trabalhar para terem o seu dinheiro e a liberdade de usá-lo…

E são muitos e diferentes, cada um, cada uma, com um tanto de história pessoal já acumulada… uma certa compreensão de si próprio, de si própria… algum entendimento da vida e do mundo… cada qual com sua identidade em construção…

Têm em comum o fato de ser gente em transição, não mais crianças e ainda não adultos… gente irrequieta, com a mente povoada de sonhos e desejos… muita sede de afirmação e muita insegurança… gente sem experiência, mas querendo fazê-las todas… com experiência… muita rebeldia, e igualmente, muito desejo de proteção e apoio

Comumente encarados como “problema” – esse talvez seja seu maior problema –  os(as) adolescentes devem ser encarados(as) como parceiros, em busca de soluções… gente merecedora de confiança… digna de chances e oportunidades, de apoio e incentivo… A partir daí, quem sabe, passam a ser “solução”, antes de tudo para si mesmos, para si mesmas, e para o ambiente onde vivem… Acima de qualquer coisa, gente que merece e precisa ser escutada e levada a sério.

Aprendendo dos heróis e heroínas do passado, de Buda, de Moisés, de Jesus, de Maomé… de Zumbi dos Palmares, de Tiradentes, de Frei Caneca, de Gregório Bezerra… de Gandhi, de Luther King, de Oscar Romero e Hélder Câmara… do ecologista Chico Mendes, do metalúrgico Santos Dias, da sindicalista rural Margarida Alves, do Cacique Chicão, mártires da causa de um mundo novo,  e tantos outros… lá vai a criançada, lá vai a garotada, pouco a pouco, engrossando as fileiras de todos os que lutam no presente por um mundo de dignidade, justiça e paz… sentando as bases de um futuro diferente e luminoso, um novo milênio sem exclusões!