MAC GO e DF: Reencontrão!

Re-encontrão da região Centro-Oeste, em ocasião dos 50 anos do MAC e dos 16 anos das Escolas Bíblicas de Crianças e Adolescentes

 Éramos de muitos lugares: Jacilândia, Jussara, Itaguaru, Itaberaí, Heitoraí, Itapuranga, Ceres, Carmo do Rio Verde, Águas Lindas, Goiânia, Brasília e Mato Grosso. Junto conosco uma jovem que fez a experiência com a caminhada do MAC (Movimento de Adolescentes e Crianças) no Timor Leste. O nome dela é Avelina. Ela nos ensinou muitas coisas sobre o país dela.

Levamos nas malas a alegria do re-encontro, que nas palavras da Isabela Almeida, anos de convivência escolar nenhuma traz esse sentimento de aprendizado e de amizade que se vivencia no MAC; sentimento que faz se sentir família, ou parte da vida de alguém, sensação de que se é querida, amada, cuidada, respeitada; sensação que em cada encontro se aprende e se ensina algo comprometido com a Vida.

Levamos também o nosso tradicional lanche para a partilha e a nossa solidariedade, vontade, disponibilidade de estar junto, ser e fazer com. Nesse processo, colocamos a mão na massa e juntas/os fizemos o bolo de aniversário dos 50 anos, refletindo sobre a simbologia de cada ingrediente que íamos colocando para fazermos o bolo. Entre as partilhas, frisa-se: “O ovo é uma proteína. A proteína nos dá força. No MAC essa proteína é a União. Ela nunca pode acabar”. (…)“Mas, se o ovo não se solta da casca, não faz efeito. Na vida de muitas crianças o MAC foi esse ovo que se soltou da casca; ele fez efeito”. “O açúcar é o motivo da causa do MAC, que são as pessoas pobres. O MAC dá gosto na vida; chama a gente a viver de um modo diferente”. “Manteiga  significa fortaleza. E o MAC foi fortaleza na minha família”. “A farinha vem de um processo para ficar pronta. O MAC é um processo que começou há muitos anos”. (…) “E a farinha é que dá a substância no bolo. E a gente não come bolo sozinha; come com outras pessoas. Assim é a metodologia do MAC quando é multiplicada”. “O leite mistura todos os ingredientes do bolo, para cada um cumprir a sua missão. Assim é o MAC, uma mistura de várias pessoas, uma mistura de gente diferente que se respeita”. Não é diferente com o fermento… “Um grupo de 5 ou 6 pessoas aqui, outro grupinho ali e…pronto! Quando se reúne, se mistura, percebe-se a força da pitada do fermento”.

Esse momento de se colocar a mão na massa para a construção do bolo foi realizado à luz do texto bíblico: “Com o que podemos comparar o Reino de Deus? Ora, o Reino de Deus é semelhante ao fermento que uma mulher pega, coloca em três porções de farinha e mistura até que tudo fique fermentado” (Lc 13, 20-21).

Fizemos memórias das nossas ações no decorrer dessa história, por meio do lançamento do livro Memórias em Movimento, 50 anos de Educação Popular e Evangelização Libertadora com Crianças e Adolescentes, com direito a uma noite de autógrafos com as pessoas presentes que escreveram para o livro. Além disso, tivemos o cine pipoca, com imagens fotográficas da nossa caminhada no Centro-Oeste e re-vimos o filme Chapeuzinho Vermelho e o Estatuto da Criança e Adolescente.

Refletimos sobre o contexto do surgimento do MAC, em 1968 (ditadura civil-militar). Ampliamos os olhares para o chão do MAC e das Escolas Bíblicas de Crianças e Adolescentes nos dias atuais (VER). Como indicativos desse chão atual o grupo trouxe: Ideologias que fazem o pobre acreditar que não pode (sobretudo por parte das mídias), dificuldade de envolvimento com as pessoas, cada uma acomodada no seu mundo virtual (isso enfraquece a formação de grupos de base, sobretudo de crianças e adolescentes); perda, retrocesso de direitos (trabalhistas e etc), proliferação do ódio (homofobia, violência contra a mulher); ditadura “camuflada”, ganância, vulnerabilidade, criminalização dos movimentos sociais…

Após o VER a realidade, caminhamos para o JULGAR, por meio do Samba-Enredo 2018 da Escola  Paraíso do Tuiuti, do Rio de Janeiro, e da narrativa bíblica presente no livro do Êxodo 3, 7-10. Dialogamos sobre o que este texto  tem em comum com tal samba-enredo.

Depois do JULGAR, o AGIR... No contexto das ações destaca-se: iniciar novos grupos de base com crianças e adolescentes; fazer um trabalho de pesquisa, a fim de lembrar  quais deputados  votaram a favor da reforma trabalhista e multiplicar essa pesquisa para a sociedade civil;  participar de encontros de fé e política, conferências de crianças e adolescentes e outras formações relacionados a direitos humanos; participar das redes sociais como quem aprofunda debates; comprometer-se mais com as causas sociais; multiplicar formações e etc.

Dom Eugênio Rixen, bispo católico da diocese de Goiás, participou um pouco conosco na tarde do sábado (21). O Pe. Daniel, da paróquia católica de Itaberaí, também esteve conosco alguns momentos. Toda a coordenação executiva e a secretaria do Cebi Goiás (Centro de Estudos Bíblicos) participou intensamente nos processos de articulação e execução deste re-encontro em celebração aos 50 anos do MAC no Brasil e aos 16 anos de Escolas Bíblicas de Crianças e Adolescentes na região Centro-Oeste. Aliás, é impossível celebrar a caminhada dos 16 anos das Escolas Bíblicas, sem mencionar a parceria MAC-CEBI.

O Re-encontrão aconteceu nos dias 21 e 22 de abril de 2018, na Chácara Bom Pastor, situada em Itaberaí. Contou com a participação de 74 pessoas. Entre estas 49 mulheres e 25 homens. Do total, 50 jovens e 6 crianças.

Agradecemos ao Pe. Daniel pela acolhida na chácara, à Congregação das Irmãs de Nossa Senhora – Cônegas de Santo Agostinho (CNS-CSA), pelo apoio, ao CEBI e às Irmãs de São José de Tarbes, pela presença efetiva e afetiva.

O grupo da caminhada de Heitoraí lembrou com muito carinho e gratidão todo a ajuda recebida por parte do saudoso Padre Aureliano Marcos Junqueira, conhecido como Pe. Marcos.

Equipe coordenadora do Re-encontrão – 29 de abril de 2018.