O Carnaval de Olinda

As crianças me perguntaram: “Maria, você vai ao Carnaval do Valadouro com a gente?”

“Vou sim, para olhar…”

“Mas, Maria! Não é para olhar, é para dançar!”

“Eu não sei dançar frevo!”

“Na hora você aprende! Ninguém fica parado. Vamos!”

A turma me levou ao Valadouro. E no meio da ladeira, já cheia de gente à espera da Pitombeira.

“Lá vem ela Maria! Lá vem ela!”

A multidão se animou com o toque de entrada da banda e a aparição do carro alegórico em cima da ladeira! Foi um verdadeiro arrastão… Querendo ou não, tinha que descer a ladeira pulando, dançando, com liberdade e alegria no coração. Até hoje eu não posso ouvir está música sem ficar arrepiada de alegria, de saudade e vontade de pular!

Fomos atrás da Pitombeira até os quatro cantos de Olinda, onde tem o tradicional encontro dela com o Elefante. Um menino falou: “Maria, pode ter briga!” Mas não houve não. O Elefante desceu com sua banda do alto da Sé. Os dois clubes se encontraram; as músicas e as danças pararam dos dois lados e houve um SILÊNCIO, não lembro por quantos minutos… Eu fiquei tomada por um fogo, uma alegria interior que nunca esqueci. Uma presença de Deus?! A força de um povo que sabe brincar gratuitamente no respeito aos outros?!

Depois, o Elefante e a Pitombeira seguiram o caminhos deles…

Voltei para a Ilha com os meninos, transbordada de alegria.

“Maria, você gostou? Você tem que fazer uma mortalha, pendurar um saco com um pouco de dinheiro no pescoço e sair todos os dias!”

Dito e feito! Alcy e Alcino, da equipe da Ilha, me animaram também e passei todo o carnaval na rua a dançar e a visitar amigos. Mal dormia na Tanajura.

Com a turma, no fim do Carnaval, acompanhei o Bacalhau na Vara e chorei com as crianças na praça do Jacaré, porque o Carnaval estava acabando!

SAUDADE DO VERDADEIRO CARNAVAL DE OLINDA! Não tenho paixão pelos atuais trios elétricos.

Fragmentos do texto de Maria Andrée Guillien publicado no Livro Memórias em Movimento – Educação Popular e Evangelização Libertadora com Crianças e Adolescentes.