Escola Bíblica de Adolescentes e Crianças

Escola Bíblica de Adolescentes e Crianças

Intermunicipal Carmo do Rio Verde e Itaguaru

O Movimento de Adolescentes e Crianças (MAC), em parceria com o CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) e a Paróquia Nossa Senhora do Carmo realizou Escola Bíblica Intermunicipal com Crianças e Adolescentes provenientes de comunidades católicas das cidades de Carmo do Rio Verde e Itaguaru, diocese de Goiás.

O objetivo primeiro da Escola Bíblica de Crianças e Adolescentes não é estudar a bíblia com as crianças, mas contribuir para que elas, na especificidade própria da idade, tomem gosto pelo projeto de Jesus: dar a vista aos cegos, libertar os cativos, desejar e implantar a justiças, curar os feridos, vestir o nu, curar o doente, fartar o faminto, saciar o sedento, ter um coração puro e ser amante da paz (Mt 25, 31-36 e Lc 4).

A Escola Bíblica de Adolescentes e Crianças aconteceu em 4 etapas, durante o ano de 2016. Entre uma etapa e outra aconteceram os encontros de aprofundamento do conteúdo estudado. E, a cada dois meses aconteceu ações de incidência local escolhida e planejada pelas crianças/adolescentes.

Todas as etapas aconteceram na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, no município de Carmo do Rio Verde – GO.

As quatro etapas foram distribuídas da seguinte forma:

Primeira Etapa: 05 e 06 de março de 2016
Tema: Abrindo a Porta e Entrando no Mundo da Bíblia – A história da Nossa Fé: As matriarcas e os patriarcas/Escravidão e Libertação do Egito
Segunda Etapa: 21 e 22 de maio de 2016
Tema: Juízas e Juízes/Reis, profetas e profetisas/Livros Sapienciais
Terceira Etapa: 13 e 14 de agosto de 2016
Tema: A Sociedade no Tempo de Jesus/Projeto e Proposta de Jesus
Quarta Etapa: 29 e 30 de outubro 2016
Tema: As Primeiras Comunidades: Evangelhos, Cartas, Livro do Apocalipse

A Escola Bíblica justifica-se por se propor a ser um espaço de formação em que a criança/adolescente terá oportunidade de na condição de criança, agir no meio social e eclesial em que vive, de fazer análise social, de respeitar e ser respeitada, de vivenciar o projeto de Jesus, de atuar nas lutas por direitos humanos, sociais e ambientais. E, ao agirem assim, acredita-se que as crianças contribuirão para que ocorram pequenas e significativas mudanças nas relações comunitárias e sociais, baseadas no adultocentrismo.

Primeira Etapa
Abrindo a Porta e Entrando no Mundo da Bíblia – A história da Nossa                         As matriarcas e os patriarcas/Escravidão e Libertação do Egito

Aconteceu nos dias 05 e 06 de março de 2016 a primeira etapa da Escola Bíblica Intermunicipal com Crianças e adolescentes. O evento foi organizado pelo MAC, em parceria com o CEBI e a Paróquia Nossa Senhora do Carmo.

Um dos objetivos da Escola Bíblica é ser um espaço em que as crianças vivenciem práticas de partilha e solidariedade por meio das brincadeiras, bem como se sensibilizem para o cuidado comum com a criação de Deus e uns com os outros, umas com as outras. Além disso, contribuir para que as crianças/adolescentes tomem gosto pelo projeto de Jesus e, na especificidade própria da idade, conheçam a ação de Deus na história, em defesa da Vida.

Ouvir as crianças, conduzir a atividades com elas e junto delas faz parte do processo metodológico da formação proposta. As crianças/adolescentes avaliaram positivamente os dois dias e acharam uma coisa ruim: “o tempo foi pouco”.

Com a voz a meninada…

“Uai… eu achei a Escola Bíblica muito boa porque foi a primeira vez que eu vim. Eu nunca tinha participado de uma Escola Bíblica. Eu achei muito interessante e aprendi muitas coisas, por exemplo, a dinâmica de dividir, partilhar a água do coco, porque geralmente quando a gente vai dividir as coisas, a gente deixa mais para a gente do que para as outras pessoas. Na dinâmica da água do coco foi dividido certinho para todo mundo(João Víctor, 14 anos).

“A Escola Bíblica é boa porque a gente aprende brincadeiras novas, faz novos amigos e aprende sobre Deus” (Yasmin, 11 anos).

“Foi muito bom porque a gente fez um montão de atividades, fez oração, brincou e aprendeu sobre a história do Chico Mendes, do Zumbi, da Margarida Alves… Uma coisa eu achei ruim: o tempo é pouco” (Maycon, 11 anos).

“Gostei de ter novos amigos, de brincar, de cantar e ficar o dia todo na presença de Deus” (Gabrielle, 8 anos).

“Foi muito bom, por causa das brincadeiras, das dinâmicas, das peças de teatro que a gente apresentou, de montar a criação com a argila. Foi muito bom!” (Any, 13 anos).

“Foi muito bom porque nós aprendemos mais uma vez as coisas de Deus; fizemos muitas brincadeiras, muitos teatros e lemos a Bíblia” (Gabriel, 10 anos).

“A Escola Bíblica é muito boa porque ela tem muitas brincadeiras e a gente aprende coisas de Deus” (Yago, 11 anos).

“Bom porque a gente brincou, apresentou, ficou o dia todo na presença de Deus e a gente estudou” (Hávila, 7 anos).

“Aqui é bom porque tem brincadeira, dinâmica, apresentação em grupo e muitos cantos” (Rafael, 10 anos).

“A Escola Bíblica é boa porque é bom conhecer Jesus” (Lucas, 7 anos).

Fotos

oprime   oprimeira

 

Segunda Etapa
Juízas e Juízes/Reis, profetas e profetisas/Livros Sapienciais

Num dia de sábado (21/05/2016), nos deslocamos da nossa cidade (Itaguaru), para Carmo do Rio Verde, com o intuito de participarmos da II etapa da Escola Bíblica Intermunicipal de Crianças e Adolescentes. Assim que chegamos fomos bem recebidos, tivemos uma boa acolhida. Após o café da manhã, fomos para o salão, fizemos a oração, danças em círculo e muitas brincadeiras. A gente conheceu muita gente nova, estudou sobre a juíza Débora, fez trabalhos em grupo sobre os Provérbios, viu o filme do Fernandinho, o desenho da história de Rute, estudou sobre os Salmos e fez desenhos.

Nós refletimos sobre os sentimentos que tivemos quando lemos a história da juíza Débora.

Alguns sentimentos foram:

“Tristeza, porque muitas pessoas, muitas crianças morrem na guerra” (Rafael, 10 anos).

“Tristeza, porque existe guerra e violência” (Ana Carolina, 11 anos).

Nós também conversamos sobre o que a história da juíza Débora ajuda a gente a pensar para a nossa vida hoje.  O João Neto, 11 anos, disse que “é uma história interessante, porque as pessoas se juntavam para defender suas terras das ameaças dos reis”. O Maycom, 12 anos, disse que percebeu “que os homens não são melhores que as mulheres”.

Hoje nós teremos Noite Cultural e amanhã teremos mais Escola Bíblica.

Esta etapa da Escola Bíblica teve 24 pessoas (15 crianças/adolescentes, 5 jovens e 4 pessoas adultas), totalizando 12 homens e 12 mulheres.

Bruno, 18 anos e Júlia, 9 anos. – Escola Bíblica de Crianças e Adolescentes pela parceria MAC/CEBI – Carmo do Rio Verde/GO – 22 de maio de 2016

Fotos

segundia    swgun

 

Terceira Etapa
A Sociedade no Tempo de Jesus/Projeto e Proposta de Jesus

Aconteceu em Carmo do Rio Verde, interior de Goiás, nos dias 13 e 14 de agosto de 2016, a 3ª etapa da Escola Bíblica Intermunicipal de Crianças e Adolescentes pela parceria MAC/CEBI. O grupo possui 23 pessoas, provenientes de comunidades católicas de Itaguaru e Carmo do Rio Verde.  Porém, neste encontro registrou-se a ausência de 7 crianças.

Natália e Henrique, ambos com 15 anos, ao serem perguntados sobre a metodologia da Escola Bíblica, falaram: “Aqui, as crianças/adolescentes são acolhidas e tratadas bem. Todo mundo é amigo de todo mundo e se cultiva a amizade. Todo mundo é incentivado a participar e ajudar uns aos outros. Também é um lugar que nos aproxima mais de Deus, porque se estuda com e para as crianças. Além disso, não só se ensina Bíblia, mas orienta as crianças/adolescentes a colocar a Bíblia em prática”.

Além do Henrique e da Natália, foi perguntado às crianças o que elas queriam falar sobre esta etapa.  O Kaíque, 9 anos, disse: “Eu gostei muito porque fiz novos amigos e conheci muitas pessoas; nós lanchamos, brincamos e ninguém se machucou. O meu pai ficou muito satisfeito porque eu contei pra ele que a Escola Bíblica é boa porque nós fazemos teatro. Eu vou falar para os meus amigos virem fazer a Escola Bíblica”. Por sua vez, a Ana Carolina, 11 anos, falou: “Eu gostei das brincadeiras. Eu aprendi mais coisas sobre Deus. Eu brinquei muito e conheci outros amigos”.

Neste módulo refletiu-se por meio de filmes, leituras, teatros e desenhos sobre “A Sociedade no Tempo de Jesus, A Proposta de Jesus e os Evangelhos”, ocasião que se perguntou às crianças: “O que é o Reino de Deus para vocês?” Algumas respostas:

“O Reino de Deus é como a natureza, porque ela é simples”. “O Reino de Deus é como uma casa em construção, porque de tijolo em tijolo ela cresce”. “O Reino de Deus é onde ninguém passa fome, nem frio e é só felicidade. Todos vivem como irmãos e amigos; uns ajudando os outros, sem inveja, preconceito, sem mentiras, sem miséria e egoísmo”. “O Reino de Deus é como uma pessoa que está sempre crescendo: cresce o cabelo, cresce a unha, cresce as pernas, cresce os braços, cresce os pés, cresce as mãos.” “No Reino de Deus têm muitos frutos e muitas pessoas e Deus consola quem sofre”. “O Reino de Deus tem paz, amizade, muitas brincadeiras, amor, carinho e felicidade. Ele é melhor do que o Ceres Clube. E olha que o Ceres Clube é bom!”

Escola Bíblica de Crianças e Adolescentes MAC/CEBI –  Carmo do Rio Verde, 14 de agosto de 2016.

Fotos:

t-eta    te-eta

 

Quarta Etapa
As Primeiras Comunidades: Evangelhos, Cartas, Livro do Apocalipse

Quanto mais se trabalha com as crianças, na perspectiva da Educação Popular, mais se percebe que algumas afirmações generalizadas, tais como “as crianças de hoje em dia não querem saber de brincar como antigamente, mas somente com jogos eletrônicos”, devem ser questionadas a partir das falas das próprias crianças, pois elas são unânimes em destacar a brincadeira como algo que “desenvolve muita alegria para a criança” (Michele, 8 anos), ou como um acontecimento que traz alegria para as crianças e emociona: “foi muito bom porque teve mais brincadeiras e nós todos ficamos alegres. Foi emocionante” (Yago, 11 anos).

O que foi muito bom e emocionante? A 4ª e última etapa da Escola Bíblica Intermunicipal de Crianças e Adolescentes de Carmo do Rio Verde e Itaguaru, pela parceria MAC/CEBI.  A formação aconteceu nos dias 29 e 30 de outubro de 2016.

De quais brincadeiras as crianças/adolescentes estão falando? Das cantigas de roda, das brincadeiras cantadas e outras. Assim, em vez de afirmações genéricas, antes é necessário perguntar: “quais ambientes são reservados para o brincar das e com as crianças? Sobretudo com as crianças dos meios populares?”

Além das brincadeiras, as crianças/adolescentes destacam que gostam de ler, escrever, desenhar, fazer amizades, conviver com pessoas diferentes, comer comida gostosa, aprender coisas novas, ler e estudar a Bíblia. Enfim, fatos e sentimentos que muitas vezes são tidos como específicos do mundo adulto. As crianças indicam que as coisas não são bem assim. Segue…

“Ah! Foi muito bom porque nós brincamos, assistimos filmes, desenhamos, lemos a Bíblia, lemos as músicas na apostila e aprendemos novas músicas” (Yasmim, 11 anos).

“Eu achei bom pelas brincadeiras, pelos filmes e pela noite cultural. Eu gostei de ler a Bíblia sobre as primeiras comunidades” (Gabriel, 11 anos).

“Eu achei muito bom os desenhos, os grupos, a presença da Janaína, as brincadeiras. Eu gostei muito das coisas que a gente aprendeu. Eu gostei de escrever uma carta” (Hávila, 8 anos).

“Foi muito legal as brincadeiras, os teatros, a comida. Sobre o filme que a gente assistiu eu aprendi o que é carta e como as cartas das primeiras comunidades foram escritas e, eu gostei de escrever uma carta” (Maycom, 12 anos).

“Foi muito interessante porque tinha coisa que eu pensei que nunca ia ver na Bíblia, por exemplo as cartas. Eu achei interessante ter cartas na Bíblia” (Pablo, 13 anos).

“Hoje eu conheci a Janaína e achei muito bom. Eu gostei das brincadeiras” (Kaíque, 9 anos).

“Legal por causa das brincadeiras, dos trabalhos em grupo, dos intervalos. Eu aprendi que a gente tem que dividir as coisas” (José Miguel, 9 anos).

“Foi muito bom porque aprendemos muitas coisas. Dividimos os grupos para convivermos com pessoas diferentes. A galinhada estava gostosa. Nós divertimos muito. Eu aprendi que é preciso partilhar e muitas das vezes a gente não partilha com as pessoas” (João Víctor, 14 anos).

A Escola Bíblica aconteceu em profunda comunhão, tanto nos momentos de oração como nas reflexões, com a juventude secundarista do Brasil que ocupa as escolas contra a PEC 241 e por uma educação pública de qualidade.

Entre os encaminhamentos feitos a partir da Escola Bíblica constam: teatro nas escolas com abordagem relacionada às questões da realidade local (MAC Itaguaru); projeto ligado ao meio-ambiente (MAC Carmo do Rio Verde). O grupo era constituído de 14 crianças, 4 jovens e 5 adultos, totalizando 23 pessoas. Entre estas, 11 mulheres e 12 homens.

Escola Bíblica de Crianças e Adolescentes MAC/CEBI – 02 de novembro 2016.

Fotos

quart     quarta

 

14890495_10206307715726340_2144531894366458357_o